Madeira em 7 dias: uma semana cheia, sem dias mortos
Uma semana é conforto: quatro percursos PR em quatro paisagens diferentes, um cruzeiro de golfinhos e baleias com carros de cesto à tarde, o Fanal na névoa com as piscinas do Porto Moniz e uma manhã de adrenalina num canhão. Cada dia tem alternativa e a ordem muda-se conforme o tempo.
A crista acima das nuvens: PR 1 do Pico do Areeiro
O dia mais espetacular da estadia. Parte do estacionamento do Pico do Areeiro e segue a crista em direção ao Pico Ruivo, entre precipícios e um mar de nuvens. Saia o mais cedo possível: em época alta o parque enche antes do amanhecer e de manhã a visibilidade costuma ser melhor.
A travessia custa 10,50 EUR e exige reserva no SIMplifica, e a partir da Pedra Rija aplica-se sentido único. Na crista o vento é bem mais forte do que no vale; um corta-vento faz falta mesmo no verão.
Os fechos são anunciados de um dia para o outro: de manhã confirme o estado do percurso na página dele.
Na prática: Cerca de 40 minutos de carro desde o Funchal. O parque do topo aceita apenas cartão; um pouco abaixo há um parque mais barato.
Alternativa para mau tempo: Se o topo estiver fechado em nuvem: PR 11 Vereda dos Balcões, a partir do Ribeiro Frio, curto e fácil, com um miradouro que funciona mesmo com pouca visibilidade.
Dia 2
Água e laurissilva: PR 6 Levada das 25 Fontes
O clássico do Rabaçal: a levada leva a um anfiteatro de rocha onde brotam vinte e cinco nascentes. Por vezes vigora sentido único e o regresso faz-se por uma variante de contorno. A opção mais curta, do mesmo estacionamento, é o PR 6.1 Levada do Risco.
Leve lanterna frontal, porque algumas variantes atravessam túneis sem iluminação. As pedras junto à água ficam escorregadias muito depois da chuva.
Os fechos são anunciados de um dia para o outro: de manhã confirme o estado do percurso na página dele.
Na prática: Siga a ER 221 até ao planalto do Paul da Serra; na descida longa trave com o motor numa mudança baixa.
Alternativa para mau tempo: Se chover no oeste: PR 9 Levada do Caldeirão Verde, no norte, ou a gratuita Levada Nova, na Ponta do Sol.
Dia 3
Oceano e Monte: golfinhos de manhã, carros de cesto à tarde
A Madeira é um dos melhores lugares da Europa para observar cetáceos: os golfinhos veem-se todo o ano e as espécies de baleias mudam com a estação. A maioria dos cruzeiros parte da marina do Funchal, alguns da Calheta; as saídas da manhã costumam apanhar mar mais calmo.
Depois do cruzeiro fique no Funchal e suba ao Monte no teleférico que parte da zona velha. O jardim tropical Monte Palace preenche bem duas horas e, abaixo da igreja, partem os famosos carros de cesto: dois carreiros de branco e chapéu de palha levam-no pelo asfalto até ao Livramento, a meia encosta. Dali volta-se ao centro de autocarro, de táxi ou a pé, a descer.
Na prática: O cruzeiro dura normalmente 2 a 3 horas; em época alta reserve com antecedência e, se enjoa, leve algo para o enjoo. Os carros de cesto funcionam de segunda a sábado e os bilhetes vendem-se apenas no local (30 € para uma pessoa, 40 € para duas); no teleférico basta o bilhete de subida.
Alternativa para mau tempo: Com mar agitado os operadores cancelam e devolvem o dinheiro; tente passar o cruzeiro para outra manhã. O Monte funciona mesmo com chuvisco; no lugar do barco, vá até à vila piscatória de Câmara de Lobos e à falésia do Cabo Girão, com a plataforma de vidro a cerca de 580 m sobre o oceano.
Uma levada escavada nas encostas sobre o vale, quatro túneis e uma queda de água a cair num caldeirão verde. Começa no parque florestal das Queimadas; o percurso é plano mas longo, e a lanterna é obrigatória.
Depois da caminhada fique pelo norte: Santana é famosa pelas casas de colmo e a costa de São Jorge pelas falésias selvagens.
Os fechos são anunciados de um dia para o outro: de manhã confirme o estado do percurso na página dele.
Na prática: A reserva no SIMplifica aplica-se como em qualquer PR. O parque das Queimadas enche ao meio-dia; chegue de manhã.
Alternativa para mau tempo: Este dia costuma ser ele próprio a alternativa para o oeste. Se chover em todo o norte, resta um dia de cidade no Funchal.
Dia 5
Névoa e loureiros: Fanal e o noroeste
O Fanal é um pedaço de laurissilva classificada pela UNESCO, famoso pelas fotografias das árvores na névoa. Aqui a nuvem não estraga o dia, faz o dia. Escolha o PR 13 Vereda do Fanal ou o mais suave PR 14 Levada dos Cedros.
À tarde desça à costa: as piscinas naturais de lava do Porto Moniz e a estrada de falésia perto do Seixal.
Os fechos são anunciados de um dia para o outro: de manhã confirme o estado do percurso na página dele.
Na prática: No planalto faz frio e humidade mesmo no verão; leve um impermeável. A descida para o Porto Moniz é sinuosa, trave com o motor.
Alternativa para mau tempo: O Fanal funciona precisamente na nuvem. Com chuva forte a sério: o vale de São Vicente e a costa norte tranquila.
Dia 6
Adrenalina no desfiladeiro: canyoning para principiantes
A Madeira tem dezenas de canhões, e os operadores levam também quem nunca experimentou: rapel junto a quedas de água, escorregas naturais na rocha e saltos para poços. O fato, o capacete e o arnês estão incluídos, e um canhão de nível um não pede mais do que uma forma física normal.
Os canhões populares para principiantes ficam nos vales do norte, entre outros perto do Seixal. No regresso para sul pela Encumeada, pare na Taberna da Poncha, na Serra de Água: uma paragem clássica para uma poncha e um petisco, não para um almoço completo.
Na prática: Reserve com antecedência e escolha apenas operadores licenciados, com guia.
Alternativa para mau tempo: Depois de chuvas fortes os operadores cancelam, porque o nível da água dispara; é normal e diz bem deles. Em troca: museus e as caves de vinho Madeira no Funchal.
Uma Madeira completamente diferente: península sem árvores, rocha vermelha e oceano dos dois lados. A melhor escolha quando a serra está afogada em nuvens, porque a ponta leste guarda um tempo próprio, mais seco.
No percurso não há sombra nem água; vá de manhã ou ao fim da tarde e leve mais água do que o habitual. Com rajadas fortes o passeio torna-se desagradável, veja a previsão antes de sair.
Os fechos são anunciados de um dia para o outro: de manhã confirme o estado do percurso na página dele.
Na prática: O início na Baía d'Abra, depois do Caniçal, fica a poucos minutos do aeroporto, por isso é o dia natural para o fim da estadia.
Alternativa para mau tempo: Com vendaval: PR 10 Levada do Furado, a partir do Ribeiro Frio, protegida pela floresta.
Extras do plano: para meio dia livre
Numa noite depois de um percurso mais curto ou numa manhã antes do voo cabe mais do que o roteiro prevê. Estas ideias não obrigam a trocar dias.
Teleféricos
O teleférico do Funchal para o Monte é um clássico do primeiro dia, e o pequeno teleférico das Achadas da Cruz, no noroeste, tido como um dos mais íngremes da Europa, desce até fajãs isoladas junto ao oceano.
Catamarãs ao longo da costa sul, sob a falésia do Cabo Girão, alguns com paragem para banho no oceano. Boa escolha para um dia de descanso das pernas; as saídas ao fim do dia apanham o pôr do sol.
Caminhos florestais e lama no leste da ilha, em grupo com guia. Vista-se para se molhar e sujar, porque faz parte da festa; a carta de condução costuma ser exigida a quem conduz.
O plano é indicativo. Os estados dos percursos, o tempo e a disponibilidade dos cruzeiros mudam de um dia para o outro: antes de cada dia confirme o estado do percurso no catálogo e a previsão da região. Taxas e regras de reserva segundo o SIMplifica.