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Antes de escolher o percurso

Medo das alturas na Madeira: onde há exposição e onde não há

A dificuldade de um percurso diz quanto esforço custa. Não diz se vai caminhar sobre um precipício. São duas coisas diferentes, e confundi-las é o motivo mais comum para alguém voltar a meio ou fazer o percurso inteiro de olhos postos nas botas. Abaixo organizamos os percursos PR pela exposição, ou seja, pelo que está ao lado do caminho e não debaixo dos pés.

Como o calculamos, para que possa discordar

A exposição não se deduz de um perfil de altitude: uma levada plana talhada numa falésia é mais exposta do que uma subida íngreme pela mata. Também não avaliamos percurso a percurso, porque assim receberia a nossa opinião sem forma de a verificar. Em vez disso, cada percurso recebe um TIPO DE TERRENO, e o nível de exposição decorre do tipo. Esta é a regra completa:

Exposição alta
Crista: precipícios dos dois lados do caminho, troços talhados na rocha.
Exposição alta
Antigo caminho na face da falésia, do cimo até junto ao oceano.
Exposição média
Levada em cornija: caminho estreito, precipício de um lado, com cabo ou guarda em alguns troços.
Exposição média
Travessia de montanha com troços expostos isolados entre partes mais calmas.
Exposição média
Caminho largo, quase todo calcetado, até ao cume; a exposição surge perto do topo.
Exposição média
Descida e subida acentuadas, sem troços longos sobre o precipício.
Exposição baixa
Levada com caminho largo, sem precipícios de maior na berma.
Exposição baixa
Caminho pela mata ou pelo vale, com a vista fechada por árvores e encosta.
Exposição baixa
Percurso da série Um Caminho para Todos, desenhado sem obstáculos de terreno.

Exposição baixa

Aqui a altura não é o problema. O caminho é largo ou a vista fecha-se com árvores e encosta, por isso não há um ponto que exija vencer o medo.

Exposição média

A exposição aparece em troços, entre partes mais calmas. Costuma dar para os passar olhando o caminho, e alguns têm cabo ou guarda.

Exposição alta

A exposição é uma caraterística de todo o percurso, não um episódio. Se a altura o bloqueia mesmo, escolha outra coisa; não é questão de aguentar cinco minutos.

Os percursos fora desta lista não foram avaliados por nós. A ausência não significa seguro, apenas que o caráter não nos pareceu inequívoco e preferimos não adivinhar.

O que ajuda mesmo num troço exposto

  • Saia cedo. Não pela luz, mas pelos cruzamentos: numa cornija estreita, deixar passar um grupo em sentido contrário costuma ser mais difícil do que o próprio troço.
  • Olhe para o caminho dois ou três passos à frente. O conselho não olhe para baixo falha porque diz o que não fazer; dar aos olhos uma tarefa concreta funciona.
  • Mantenha-se pelo lado de dentro do caminho e não pare nas curvas, que já são os pontos mais apertados.
  • Verifique o vento, não só a chuva. Com rajadas fortes um percurso exposto passa a ser outro percurso; a previsão para cinco regiões está na nossa página inicial.
  • Os bastões ocupam as mãos. Ajudam nas subidas, mas nos troços com cabo ou corrente é melhor tê-los arrumados.
  • Não comece a viagem pelo percurso mais exposto. Dois dias em terreno mais calmo dizem sobre a sua tolerância mais do que qualquer descrição.

Voltar para trás não é fracasso, mas no PR 1 tem prazo

  • Num percurso de ida e volta pode voltar a qualquer momento e não perde nada além de um pedaço de vista.
  • O PR 1 é de sentido único e isso muda as contas: quanto mais longe estiver, mais longo é o regresso pelos próprios passos e mais gente vem em sentido contrário. Decida no primeiro troço, não a meio.
  • Se as pernas ficarem rígidas e a respiração curta, pare num sítio largo e espere. Passa mais vezes do que se pensa, e forçar a marcha nesse estado é realmente mais perigoso do que o terreno.

Perguntas frequentes

Dá para fazer o PR 1 com medo das alturas?

Com medo ligeiro, normalmente sim, porque boa parte do percurso segue por passagens talhadas e escadas com rocha de um dos lados. Com um medo que trava os movimentos, o PR 1 é mau sítio para se testar: é de sentido único, longo e exposto em toda a extensão. Melhor teste é o PR 1.2 para o Pico Ruivo, onde um caminho largo leva quase até ao cume.

As levadas são seguras para quem tem medo das alturas?

Depende da levada, e a diferença é enorme. A Levada dos Cedros ou a Levada do Rei seguem por caminho largo pela mata, sem exposição. A Levada das 25 Fontes, o Caldeirão Verde e a Fajã do Rodrigues têm troços em cornija com precipício de um lado e cabo em alguns pontos. A palavra levada, por si só, não diz nada sobre isso.

Qual é o percurso mais exposto?

As cristas sentem-se mais: o PR 1 do Areeiro ao Ruivo, o PR 1.3 do Ruivo à Encumeada e o PR 8 na península de São Lourenço, onde em vários pontos o precipício fica dos dois lados do caminho. Categoria à parte são os antigos caminhos nas faces das falésias, PR 19 e PR 20, que descem do cimo até junto ao oceano.

Quero as vistas sem os precipícios. O que escolher?

A Vereda dos Balcões dá a panorâmica das serras centrais a partir de um caminho largo, com guarda no próprio terraço. A Vereda do Fanal atravessa o planalto entre loureiros antigos. Ambos os percursos da série Um Caminho para Todos são desenhados sem obstáculos de terreno. Uma vista na Madeira raramente exige estar sobre um abismo.

Relacionado no site

A divisão é indicativa e descreve o caráter do terreno, não a sua tolerância, que varia de dia para dia. A exposição aumenta com vento, rocha molhada e nevoeiro. Antes de sair, confirme o estado do percurso no IFCN e a previsão para a região; o terreno e o tempo mandam mais do que qualquer classificação.