Antes de sair
Segurança nos percursos da Madeira: o que levar e o que esperar
O catálogo responde para onde ir hoje. Esta página responde com o quê. Fica pelo que é próprio da Madeira e apanha os visitantes de surpresa: túneis sem iluminação, levadas sem guarda sobre o precipício, nevoeiro que chega num quarto de hora e tempo que muda 800 metros mais acima.
O que levar, por ordem de importância
Os três primeiros não são conforto. Nalguns percursos são condição de entrada.
- 1Lanterna frontalAs levadas atravessam túneis sem luz, alguns com centenas de metros. O telemóvel não chega, porque precisa das duas mãos.
- 2Casaco impermeável e corta-ventoNas cristas o vento é muito mais forte do que na costa e pode estar 10 graus abaixo do Funchal.
- 3Botas com boa aderênciaA rocha molhada e as tábuas dos túneis ficam escorregadias muito depois da chuva. A maioria dos acidentes são escorregões, não quedas de altura.
- 4Água, mais do que o habitualMuitos percursos não têm abastecimento, e a Ponta de São Lourenço também não tem sombra.
- 5Telemóvel carregado e mapa offlineA rede desaparece em ribeiras e túneis. Carregue o GPX antes de viajar, não no estacionamento.
- 6Comprovativo da reservaA fiscalização nos percursos pagos verifica o código. Guarde-o offline, porque no local muitas vezes não há dados.
O que não se vê do estacionamento
As levadas são canais de rega e o caminho segue a berma. Em muitos troços há rocha de um lado e uma queda de dezenas de metros do outro, e nem sempre há guarda. Não ultrapasse no estreito, dê passagem a quem sobe e não ande a olhar para o telemóvel.
O nevoeiro no Fanal e no Paul da Serra pode reduzir a visibilidade a algumas dezenas de metros num quarto de hora. Não é motivo de pânico, mas é motivo para levar o trilho no relógio e nunca cortar caminho fora do trilho.
Quando voltar para trás
Volte para trás quando a levada corre alta e turva depois de chuva forte, quando começa a chover num troço exposto, quando faltam menos de duas horas de luz e não tem lanterna, ou quando seguir implicaria passar sob um desabamento recente. Recuar não é falhar, faz parte do plano.
O IFCN fecha percursos depois de chuvadas e derrocadas, por vezes de um dia para o outro. Confirme o estado na manhã da caminhada, não quando planeia a semana anterior.
Números e pedido de socorro
- 112: número de emergência único na UE, funciona sem cartão SIM e em inglês.
- Antes de ligar, saiba onde está: o código do percurso (por exemplo PR 6), o ponto de referência mais próximo e a distância aproximada ao início.
- Se tiver rede, envie a sua localização a alguém antes de descer para a ribeira.
- Deixe dito no alojamento que percurso vai fazer e a que horas conta voltar. É a peça de segurança mais barata que existe.
Útil a seguir
São indicações práticas, não formação nem conselho médico. Não somos guias de montanha licenciados. A avaliação da sua forma física, do equipamento e das condições é sua, e nos percursos mais exigentes vale a pena considerar um guia. O cartão europeu cobre tratamento no serviço público, mas não a operação de resgate nem o repatriamento.